Sistema endocanabinoide: o que é, como funciona e como ativar

Entenda como funciona o sistema endocanabinoide no corpo humano e de que forma a cannabis medicinal interage com ele.

Em 1964, um pesquisador israelense carregava dentro de um ônibus cinco quilos de haxixe apreendidos pela polícia, destinados a um laboratório de pesquisa. Ali, o tetrahidrocanabinol (THC) foi isolado e teve a sua estrutura química descrita pela primeira vez. Quase três décadas depois, cientistas enfim descobriram como esse composto agia no corpo humano: através de uma rede de receptores espalhada pelo nosso organismo, hoje chamada de sistema endocanabinoide.

Neste guia preparado pela APEPI, você vai entender o que é o sistema endocanabinoide, como ele funciona e de que maneira a cannabis medicinal e outros hábitos estimulam a ativação dessa rede no seu organismo.

O que é o sistema endocanabinoide?

O sistema endocanabinoide é uma rede biológica formada por moléculas que o corpo humano produz naturalmente, chamadas de endocanabinoides, que se ligam a receptores espalhados pelo sistema nervoso central e periférico. Juntos, eles funcionam como uma espécie de sistema de comunicação entre células, ajudando o organismo a manter o equilíbrio interno. 

É a partir desse funcionamento que o sistema endocanabinoide atua em uma ampla quantidade de processos: apetite, sensação de dor, humor, memória, fertilidade e até o desenvolvimento antes e depois do nascimento.  

O sistema é também a porta de entrada pela qual o corpo humano responde aos efeitos farmacológicos da cannabis, já que canabinoides da planta como o THC e o canabidiol (CBD) interagem com essa mesma estrutura.

Quando foi descoberto o sistema endocanabinoide?

Após o isolamento e a identificação do THC, a comunidade científica levou quase três décadas para entender como esse composto agia no corpo. Em 1988, pesquisadores nos Estados Unidos encontraram os primeiros indícios de que existiam receptores no cérebro capazes de responder ao consumo do THC. Dois anos depois, esse receptor foi clonado e ganhou nome: CB1.

Faltava, porém, responder uma pergunta em aberto: será que o próprio corpo produzia alguma molécula natural capaz de se ligar a esses receptores? A explicação veio em 1992, quando cientistas identificaram a anandamida, o primeiro endocanabinoide descoberto pela ciência. Pouco tempo depois, um segundo receptor essencial foi identificado, o CB2. 

A partir disso, esse conjunto de receptores e moléculas passou a ser nomeado como sistema endocanabinoide. 

Como ele funciona no corpo?

O sistema endocanabinoide é formado por três peças que trabalham juntas: os receptores, as moléculas que se ligam a eles (chamadas de endocanabinoides) e as enzimas que controlam todo esse processo.

Os receptores CB1 estão concentrados principalmente no cérebro e no sistema nervoso central, com o papel de regular funções como coordenação motora, memória, humor e a percepção de dor. Já os receptores CB2 se concentram predominantemente no sistema imunológico e em tecidos periféricos, regulando os processos inflamatórios e de defesa do corpo. 

Enquanto isso, o organismo produz as duas moléculas endocanabinoides que se ligam a essa rede de receptores: a já citada anandamida e o 2-araquidonilglicerol, mais conhecido como 2-AG, descoberto pouco tempo depois. Essa ligação é o que ativa as funções dos receptores CB1 e CB2 descritas acima. 

As enzimas, por sua vez, completam esse ciclo. Elas têm a missão de ‘’limpar’’ os endocanabinoides logo após cumprirem o seu papel de ativação. Diferente de outras moléculas que ficam armazenadas no corpo, a anandamida e o 2-AG são produzidas sob demanda, e assim que enviam o sinal necessário são rapidamente quebrados por ações enzimáticas.

Para que serve o sistema endocanabinoide?

O sistema endocanabinoide atua como um regulador geral do corpo, ajudando a manter o equilíbrio interno em uma variedade de funções. Entre os processos que ele ajuda a regular, estão:

  • Apetite 
  • Sensação de dor 
  • Humor 
  • Memória 
  • Qualidade do sono 
  • Resposta ao estresse 
  • Controle muscular 
  • Equilíbrio de energia e metabolismo 
  • Processos inflamatórios e resposta imunológica 
  • Fertilidade e desenvolvimento antes e depois do nascimento 

Como ativar o sistema endocanabinoide?

Entre o consumo direto de fitocanabinoides e o ajuste de hábitos do cotidiano, existem algumas formas comprovadas de estimular o sistema endocanabinoide no dia a dia. Confira:

Uso terapêutico de canabinoides: A forma mais direta de ativar esse sistema é por meio dos fitocanabinoides da cannabis, como o CBD, o THC e o canabigerol (CBG). Quando utilizados com acompanhamento médico, eles suplementam o que o corpo precisa para restaurar o equilíbrio. Na APEPI, seu acesso a esses tratamentos é facilitado com óleos full spectrum, de produção 100% nacional e suporte ao paciente.

Exercício físico: A prática de atividades aeróbicas aumenta a produção de anandamida no corpo. É esse mecanismo que, junto a outros neuroquímicos, ajuda a explicar o chamado ‘’barato do corredor’’, uma sensação de euforia e bem-estar que aparece depois de um exercício intenso.

Alimentação: Alguns alimentos contêm compostos que interagem diretamente com esse sistema. A pimenta-do-reino, por exemplo, é rica em beta-cariofileno, uma substância que ativa diretamente os receptores CB2. Já o cacau carrega traços de anandamida e demais compostos que retardam a quebra da molécula pelas enzimas, prolongando seu efeito no corpo. 

Gestão do estresse: O estresse crônico tem o efeito oposto, isto é, aumenta a atividade das enzimas que degradam os endocanabinoides e consequentemente reduz os níveis de anandamida no nosso corpo. Por isso, práticas que ajudam a reduzir o estresse podem preservar o funcionamento saudável do sistema endocanabinoide.

O sistema endocanabinoide existe em animais? 

Sim, ele está presente no sistema nervoso central e periférico de todos os vertebrados, não só em humanos. Estudos em camundongos e ratos, aliás, são a base de boa parte do que se sabe hoje sobre o funcionamento do sistema endocanabinoide.

No entanto, existem diferenças entre espécies. Em roedores, por exemplo, a maior concentração de receptores canabinoides está nos gânglios da base e no cerebelo, regiões ligadas ao controle motor. 

Nos humanos, essas mesmas regiões têm uma concentração bem mais baixa de receptores, o que ajuda a explicar por que os canabinoides afetam a coordenação motora dos roedores de forma mais intensa do que a das pessoas. 

Qual a relação entre o sistema endocanabinoide e o canabidiol?

O CBD é um dos compostos ativos mais abundantes da cannabis e atua como um regulador do sistema endocanabinoide. Ao contrário do THC, que se liga diretamente aos receptores CB1 e CB2, o canabidiol age de forma indireta e modula a maneira como a rede inteira funciona e ajudando o organismo a manter o equilíbrio.

Por ter esse papel regulador, o tratamento com canabidiol costuma envolver ajustes graduais de dosagem, permitindo encontrar o ponto ideal de equilíbrio para cada organismo. 

A base da cannabis medicinal

Entender como o sistema endocanabinoide funciona é o primeiro passo para compreender por que a cannabis medicinal é tão versátil e, ao mesmo tempo, tão individual. Como a distribuição de receptores e a produção de moléculas variam de pessoa para pessoa, a resposta ao tratamento depende da escolha certa dos compostos e das dosagens.

É por isso que a APEPI atua facilitando o acesso a extratos de qualidade garantida (incluindo tanto opções full spectrum como isoladas, ricas em CBD, THC e CBG), além de conectar pacientes a médicos capacitados e oferecer suporte contínuo em cada etapa do tratamento. 

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