Você já ouviu falar sobre o THC, mas provavelmente o conhece mais pela sigla do que pela ciência. O tetrahidrocanabinol é o principal canabinoide psicoativo produzido pela cannabis, responsável pelos efeitos euforizantes associados à planta. O que muitos ainda não sabem, no entanto, é que ele também se destaca por uma série de aplicações terapêuticas que a ciência vem documentando há décadas.
Entenda o que é o THC e como ele age no organismo, para que serve no contexto medicinal e o que diferencia o seu uso terapêutico do recreativo.
THC medicinal x THC recreativo: qual a diferença?
Historicamente, o THC ficou famoso pelos seus efeitos euforizantes. É o canabinoide responsável pela sensação de '’barato’' associada à maconha, o que durante muito tempo limitou sua imagem à de uma substância puramente recreativa. Essa associação, no entanto, ofusca algo importante: a diferença entre o uso medicinal e o uso recreativo do THC não está na molécula em si, mas no contexto de uso, dosagem e na forma de administração.
No uso recreativo, também conhecido como uso adulto, o THC costuma ser consumido por meio do fumo ou da vaporização da flor de cannabis. Contudo, não há controle preciso de dose, composição dos canabinoides ou orientação médica. É sempre importante destacar que o fumo não é uma forma de uso medicinal e envolve riscos associados à inalação de substâncias tóxicas, assim como qualquer outro tipo de fumo.
Já no uso medicinal, o THC passa por um processo rigoroso antes de chegar nas mãos do paciente. A planta é cultivada com controle genético e fitossanitário, extraída em laboratório por equipamentos especializados e submetida a análises de qualidade que garantem a concentração exata de cada composto. .
O resultado é um produto padronizado, com concentração conhecida e dosagem definida por um médico prescritor, muito diferente da cannabis consumida sem orientação. Por isso, o óleo de THC pode ser uma importante alternativa para diversas patologias.
THC e sistema endocanabinoide
Para início de conversa, é importante esclarecer que o THC não existe na sua forma ativa na planta. O que existe é o THCA (ácido tetrahidrocanabinólico), uma molécula sem efeito psicoativo. Ele se transforma em THC quando exposto ao calor, por meio de um processo chamado descarboxilação.
No fumo e na vaporização, esse calor vem da combustão ou do aquecimento da flor. Nos óleos medicinais, por sua vez, essa transformação acontece durante o próprio processo de extração. Assim, o produto final já contém o THC na sua forma ativa e está pronto para ser absorvido pelo organismo.
Quando absorvido pelo organismo, seja pelo óleo medicinal ou por outras formas de uso, o THC age por meio do sistema endocanabinoide. Pense nesse sistema como uma rede de fechaduras espalhadas pelo corpo, e o THC como uma chave que se encaixa nelas. Ao ser absorvido, ele encontra as fechaduras de maior afinidade, concentradas principalmente no cérebro e no sistema nervoso central (os chamados receptores CB1), e no sistema imunológico (os receptores CB2). Essas interações explicam tanto os efeitos psicoativos quanto as propriedades terapêuticas do composto.
THC medicinal: para que serve e para quais condições é indicado
O THC possui propriedades relaxantes, analgésicas, antieméticas e anti-inflamatórias. Por isso, tem sido estudado e utilizado no tratamento de diversas condições, especialmente aquelas em que os tratamentos convencionais apresentam limitações ou efeitos colaterais significativos. Entre as aplicações mais documentadas estão:
- Controle de náuseas e vômitos associados à quimioterapia;
- Estímulo do apetite em pacientes com anorexia ou perda de peso por doenças
crônicas;
- Alívio de dores neuropáticas e oncológicas;
- Controle da espasticidade muscular, especialmente na esclerose múltipla;
- Cuidados paliativos em oncologia;
- Distúrbios do sono.
Vale destacar que o THC costuma ser utilizado em associação com outros canabinoides, especialmente o CBD. Quando combinados, os compostos se potencializam mutuamente por meio do efeito entourage, o que pode ampliar os benefícios terapêuticos. O tratamento, no entanto, deve sempre partir de um médico prescritor, que vai avaliar o histórico do paciente e a melhor estratégia terapêutica para cada caso.
O THC deixa chapado no uso medicinal?
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre quem começa a pesquisar sobre o tema. A resposta depende, sobretudo, da dose.
Em doses terapêuticas baixas, os efeitos psicoativos do THC tendem a ser mínimos ou até mesmo imperceptíveis. O objetivo do tratamento medicinal não é gerar a ‘’onda’’ da maconha, mas sim atingir o efeito terapêutico desejado com a dose adequada. Muitos pacientes, inclusive, relatam melhora nos sintomas sem experimentar qualquer alteração significativa de percepção.
Contudo, é possível sentir algum grau de efeito psicoativo em doses mais elevadas. A intensidade e a frequência desses efeitos variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como peso, metabolismo e sensibilidade individual ao composto.
Uma alternativa ao uso do óleo de THC é o produto à base de canabigerol (CBG). O CBG apresenta efeitos semelhantes ao THC, mas sem os efeitos psicoativos. Ademais, cabe destacar que a definição da dose mais adequada, seja do THC ou qualquer outro canabinoide, deve sempre partir de uma avaliação médica personalizada.
THC e CBD: qual a diferença?
THC e CBD são os dois canabinoides mais conhecidos da cannabis, mas têm perfis de ação bastante distintos.
O THC é um psicoativo que age diretamente no sistema nervoso central, famoso por gerar os efeitos euforizantes característicos da maconha. No contexto medicinal, esse mesmo mecanismo de ação explica sua eficácia no controle da dor, da espasticidade e das náuseas.
O CBD, por sua vez, não produz efeitos psicoativos. Ele age por mecanismos mais amplos e indiretos, incluindo a regulação da atividade do próprio THC. Quando os dois são usados juntos, o CBD pode atenuar os efeitos psicoativos indesejados do THC, tornando o tratamento mais tolerável para muitos pacientes.
Na prática clínica, a combinação de THC e CBD em óleos full spectrum tem se mostrado mais eficaz do que o uso isolado de cada composto.
O THC possui contraindicações?
O uso do THC medicinal pode apresentar menos efeitos adversos do que medicamentos convencionais utilizados para as mesmas condições, como opioides e anticonvulsivantes. No entanto, como qualquer substância ativa, o THC pode causar efeitos colaterais e interagir com outros medicamentos. Por isso o acompanhamento de um médico prescritor é indispensável para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.
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